«TER PÁTRIA NÃO É NASCER NUM CERTO SÍTIO, É TER DE COMER, TER CASA, ESCOLA, ASSISTÊNCIA MÉDICA». Av. Dr. Magalhães Lemos. Edifício Impacto, Bloco 21. befelgueiras@gmail.com Telemóvel 917684030
Sexta-feira, 15 de Outubro de 2004
A Sociedade Civil

        A sociedade civil 


        Portugal ainda não se habituou a viver plenamente a democracia. Mais grave ainda, a democracia começa a, progressivamente, ser posta em causa por não saber atrair a si a atenção da população. Sempre que se fala na acção dos partidos e dos políticos é para denegrir a tal democracia que se arredou dos cidadãos.


        Vão-se (re)criando as ideias que os políticos são, na generalidade, corruptos. Que quem anda na política é oportunista, vaidoso e pouco sério. Daqui ao: «deixe-se a política aos políticos» vai um passo. Estas ideias recorrentes ao longo da nossa história recente não são tão ingénuas como podem, à primeira vista, parecer. Antes pelo contrário, são estratégias de desmobilização perfeitamente concebidas para fins muito bem determinados.


        Nos outros países da Europa as pessoas fazem valer as suas ideias: contestam, organizam-se, mobilizam-se, independentemente dos partidos e/ou dos sindicatos, associam-se por causas comuns, reivindicam e fazem propostas, pressionam o poder instituído para a realização dos seus propósitos. Não ficam à espera que os políticos, alheados das realidades/dificuldades das respectivas populações tenham sensibilidade para os resolver.


        Lemos recentemente que só cerca de 5% da população portuguesa estaria filiada nos partidos políticos existentes. Se deixarmos a política para os políticos estes números não deixam de nos arrepiar. Quantas propostas de leis, projectos ou sugestões, apresentados na Assembleia da República por representantes não partidários foram aprovadas em 30 anos de regime democrático? Que tenhamos conhecimento: nenhum!


        A deficiente prestação da sociedade civil - composta por todos aqueles que se recusam a ser arregimentados pelos partidos políticos - tem custos na consolidação da democracia e paga-se, consequentemente, no desenvolvimento do país. Esta falta de hábitos não tem a ver com a capacidade de cada um dizer e/ou escrever o que pensa ou até de se associar, mas com uma inexistente capacidade de intervenção concreta na vida quotidiana das populações. Ver por exemplo os cívicos debates e as oportuníssimas conclusões geradas em torno das áreas metropolitanas ou das comunidades urbanas, para dar só um exemplo.


        O país está deprimido, as pessoas tristes, maldizentes e pouco crédulas. E a História, porque a verdadeira história é recorrente, repete-se. Já na 1ª República o esmagamento das classes médias, as dificuldades económico-financeiras, a instabilidade social e a agitação política, abriram caminho à ditadura do Fado, de Fátima e do Futebol. A 3ª República reduziu de três para um os efes. Agora anestesia-se o povo com os podres do futebol. Quanto mais tempo ocupar o futebol menos atenção resta para discutir os verdadeiros problemas do país.


        E, formatado na ditadura salazarista da 2ª República, o país é o que se vê. Habituadas a um Estado omnipresente e omnipotente as pessoas esperam dele a resolução de todos os seus problemas. Acreditam que pouco, ou nada, vale a pena fazer porque isto de mudar o país é coisa dos políticos. Cada um trata da sua vida, finge que não vê os problemas alheios, engana o estado quando e quanto pode. Não será por acaso que Portugal aparece nas estatísticas como um dos povos mais desconfiados do mundo.


        É necessário criar uma 4ª República que se fundamente na participação efectiva dos cidadãos, que não distorça os princípios da democraticidade, da legitimidade e da verdadeira representatividade. Na qual as pessoas não sejam simples espectadores mas actores na construção das suas realidade quotidianas.


        J. Santos Pinho



publicado por befelgueiras às 00:30
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1 comentário:
De Anónimo a 19 de Novembro de 2004 às 20:01
onde é que o sr. pinho vai copiar estes textos?ulisses
</a>
(mailto:franz2003@iol.pt)


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