«TER PÁTRIA NÃO É NASCER NUM CERTO SÍTIO, É TER DE COMER, TER CASA, ESCOLA, ASSISTÊNCIA MÉDICA». Av. Dr. Magalhães Lemos. Edifício Impacto, Bloco 21. befelgueiras@gmail.com Telemóvel 917684030
Sábado, 3 de Junho de 2006
A arrogância é filha da ignorância.

 

            A cultura como a ciência foi, ao longo da história, laboriosamente construída contra as ideias feitas e contra o senso-comum. O processo foi cumulativo e objecto de incessantes, persistentes e trabalhosas revisões.

            Ocorrem estas ideias a propósito do exercício de pura arrogância insultuosa da senhora ministra da educação que, dentro da política de permanente e insidioso afrontamento que o actual governo resolveu – em má hora – encetar sobre os professores deste país (perante a embasbacada plebe, que saliva deliciada) culpando-os de todos os males de que padece o sistema de ensino.

            Tem memória curta e esquece, talvez por isso, a senhora ministra que faz parte do governo de um dos dois partidos que mais responsabilidades têm, desde o 25 de Abril, na desgraçada situação da educação em Portugal. Uma plêiade   de "iluminados" dos partidos do "Centrão" coadjuvados por uma dúzia de "iluminados pedagogos" vêm, desde então, a construir uma mistificação que conduz à infantilização, à desresponsabilização e à mediocridade.

            Há, em Portugal, uma cultura geral de desresponsabilização que não valoriza o trabalho, o estudo e o conhecimento. E a escola é, por vezes, um reflexo dessa sociedade. De um modo genérico interessa que os alunos passem de ano independentemente de possuírem ou não conhecimentos e competências.

            Ora, este paradigma facilitista que substitui o esforço e o rigor por uma noção romântica que pressupõe uma aprendizagem liberta de qualquer exigência e subordinada apenas ao que é lúdico e apelativo tem resultados desastrosos. A noção construtivista de que uma pessoa aprende por si e que basta motivar os alunos para que eles se desenvolvam e atinjam o conhecimento é uma fraude. Não é possível a um aluno refazer sozinho o percurso da ciência e/ou da cultura. A quebra da exigência e do rigor, nomeadamente quanto a provas de avaliação e a exames finais, considerando que caso corram mal os alunos sairiam traumatizados, criou uma desresponsabilização total.

            As questões ideológicas são também pertinentes. É que, por vezes, sob a capa de práticas vanguardistas escondem-se interesses inconfessados. E com o pretexto da preocupação com os mais desfavorecidos tem-se baixado o nível do ensino. A prática têm-nos demonstrado que os mais abastados (precisamente porque têm posses) recorrem ao ensino privado mas os outros continuam como estão não havendo, também por isso, melhorias qualitativas significativas.

            A Escola é um local de Trabalho e de Esforço. É um lugar onde se tem de Querer Estar. É um local onde tem de existir Disciplina e Metodologia de Trabalho. As aprendizagens só são significativas conforme se vão superando as dificuldades. A satisfação obtida pela superação de dificuldades dá motivação para enfrentar novos desafios e novas aprendizagens.

            O ensino eficaz consegue-se com a exigente transmissão de conhecimentos, de competências e de laboriosas e esforçadas práticas. Não é com currículos que veiculam e estimulam o facilitismo e a preguiça e que fatalmente conduzem à mediocridade e ao insucesso.


                        J. Santos Pinho



sinto-me:

publicado por befelgueiras às 15:02
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5 comentários:
De Anónimo a 5 de Junho de 2006 às 14:24
Muito infeliz a sra ministra. É o problema quando que se fazem «guerras» encomendadas.[>;P]


De Santana Castilho (Jornal Público) a 5 de Junho de 2006 às 15:41
"A proposta de alteração do regime legal da carreira do pessoal docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário (...) É um documento de estarrecer. (...) Emotivamente a opinião pública tem-se centrado na questão da participação dos pais no processo. Esse disparate, no contexto em que é proposto, porém, não passa de manobra dilatória. O essencial radica no espírito do documento, verdadeiro pacto entre as piores emanações das chamadas Ciências da Educação e as hediondas fixações populistas e economicistas de um PS que travestiu o socialismo numa versão selvagem. Se vier a ser aprovado este estatuto será a magna carta de uma corrente doutrinária que no, Estado, se apossou da educação dos nossos filhos e a linguagem satírica apelidou de eduquês ». Note-se bem o que pretendo exprimir: uma coisa é o contributo sério, fundamentado, que as Ciências da Educação têm dado à reflexão pedagógica e à produção do conhecimento e outra coisa são as diletâncias de aventureiros que, a coberto dessa epígrafe, têm escravizado os professores do terreno, idiotizado a juventude e ridicularizado a escola. (...)"


De Anónimo a 5 de Junho de 2006 às 15:51
Tanta irresponsabilidade por parte de uma ministra: Tanto recalcamento!! Tanto ódio à classe docente!! Qual a vantagem de denegrir e aviltar toda uma classe que, no geral, cumpre com bem mais do que aquilo que lhe é exigido? Talvez o Freud possa explicar...


De Beatriz Pacheco Pereira a 5 de Junho de 2006 às 15:56
A Ler no Público: «Em que país estava a ministra da Educação? O passado é negro, mas a culpa não é, seguramente dos professores. Os que resistiram a todos estes erros da responsabilidade do Ministério que tutela são quase heróis. Que mereciam ser estimados e bem pagos para permanecer na profissão.»


De Anónimo a 13 de Junho de 2006 às 17:36
Vamos que resposta darão os Professores na próxima quarta-feira


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